segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Disso

Quero mais disso ou daquilo.
Me afundar no riso promíscuo.
Dançar na perda da fé.
Quase morro disso ...
Na minha faceta fantasma.
Disso que eu necessito!
Meu capital antagônico.
Minha falsa modéstia alheia.
Quero mais que isso!
Fumar escondido no quarto.
Adormecer ao lado do inimigo.
Se você chegar eu saio!
Se for interessante eu faço aquilo!
Eu em meu mundo monstro criança feliz.
Você em seu sol que não mais brilha.
Disso nada sei!
Pouco quero!
Se deixar destruo meus mitos
num sonho perverso e compulsivo.
"Mais do mesmo" disso!
Naquilo que queríamos!
Na raiva suja que ficou!
Não se sabe!
Pode ser disso que preciso ...

Renato Leme

Cansei ...

Cansei de esperar pra falar.
Pra dizer qualquer coisa.
Pra correr atrás dos carros sem sentido algum.
Cansei de beber despedidas
consentindo um prazer triste.
A Libido chegou e foi embora.
O dia " D " nasceu pra mim.
Cansei do agridoce.
Da vontade de acordar tarde.
Da festa frustrada em minha alma.
Hoje luto pela demência.
Agarro a sorte que você me deu.
Sinto uma agonia boa.
Sonho uma desgraça alheia.
Cansei de deixar o querer
pra sofrer o que não tem.
Pra chorar pelo o amanhã.
Ainda tenho algumas cartas na manga.
Sou o espaço pro tempo passar.
Cansei de saber das coisas.
De entender o que!
Ando descalço por aí.
Estou no meio da tempestade.
Vamos olhar a verdade.
Deixar de lado o " Eu".
Vamos cantar num domingo belo
e ver o sol nascer ...

Renato Leme

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pseudônimo: J.T ... Descompromissado ... Adolescente e Feliz

Fernando Ferraz é o tipo de rapaz o qual as meninas caem aos seus pés. Esbelto, bonito, inteligente e quase sempre um " gentleman". Vive rodeado de amigos no colégio , e sem dúvida é o mais popular da turma. Tem dias que posa de "bad boy". Pita um cigarro , toma umas cervejas no boteco mais badalado do bairro , desfila seu vocabulário sobre as histórias das bandas de rock prediletas , enche o peito e dá uma de durão com outros garotos. Porém de uns dias pra cá anda mudado.
J.T , como é conhecido entre a galera ( e não se sabe o porque do J.T ), está calado e pensativo. Anda só pelos cantos com o olhar distante. As garotas procuram entende-lo , mas sem sucesso. Fizeram até uma reunião secreta no colégio entre elas para tentar descobrir o que acontece.
Em casa com os pais não muda muito . Sua mãe lhe dirigia a palavra , e às vezes J.T não respondia.
Ia pro quarto e assitia tv por horas e ouvia seus heróis do rock n' roll. Led Zeppelin , Pink Floyd, Kiss, AC/DC e muitos outros da década de 70 . Apesar de seus dezoito anos , tem o mesmo amor que o pai pelo rock classico. Não abre mão do estilo e seus tímpanos são alérgicos ao novo rock.
Outra grande paixão de J.T são os animais. Ama tudo que é bicho . Tem uma coleção em casa. Peixe , gato , papagaio , pombo , porquinho da Índia e uma exótica aranha num aquário.
Brigava feio com qualquer um que maltratasse um bicho em sua frente.
Dona Eulália, sua mãe , divergia com ele de vez em quando.
--- Fernando! Essa casa parece um zoológico . Bicho dentro de casa não dá filho!
--- Mas mãe! Eles são nossos melhores amigos. Acredite!
--- Quanto a amizade é bem-vinda , mas o cheiro e a sujeira não dá!
--- Tudo bem mãe! Limpo tudo , arrumo tudo , deixo tudo brilhando!
Assim acabava enrolando sua mãe , mas de bom grado , pois deixava a casa em ordem mesmo.
Numa dessas tardes deitado em seu quarto ao som do classico álbum:"The Dark Side of The Moon" do "Pink Floyd" pensava na vida e desligava-se do mundo exterior.
O ano letivo estava terminado e a pressão do vestibular aumentava. Em meio aos conflitos da idade já sabia o que queria . Seria veternário e pronto! Seu pai , o Dr. Agenor Ferraz não aceitava a ideia do filho ser veterinário. Mas não tinha conversa , J.T era turrão e astuto, e quando colocava algo na cabeça ninguém tirava.
O som ia rolando e seus pensamentos acompanhavam a melodia da música . De súbito batidas fortes na porta e gritos alucinantes:
--- Fernando! Fernando! Tão te chamando menino . Abaixa esse som e vem atender!
J.T saiu cambaleando do quarto em direção a sua visita.
--- Pô ! Zeca , bacana! Como é que cê tá!
--- Beleza! Passei na sua casa algumas vezes e não te encontrei , no colégio você tá maior esquisitão , qual é!
--- Vamo lá pro quarto! A gente conversa tranquilo. Não é nada demais , cabeça cheia! Vestibular, despedida da galera do colégio , cada um vai pra um canto , entende!
--- Certo! Vamo bater um papo então!
J.T e Zeca sempre foram grandes amigos desde à infância . Conversaram à tarde toda sobre suas aspirações futuras e as mudanças que iriam enfrentar dali por diante.
--- Ah! J.T , eu ando meio griladão também nos últimos tempos , mas não esquento não! Nem vou prestar vestibular agora , ainda não sei o quero fazer! Primeiro vou procurar um trabalho pra ter minha grana , sabe!
--- Pode crê! --- Falou J.T sem muito entusiasmo.
Os meninos trocaram mais algumas palavras , escolheram novas músicas , enfim J.T gesticulou em voz grave:
--- É o seguinte Zeca! Tem uma coisa que quero te falar que tem a ver também com essa minha zonzeira atual.
Zeca levantou-se ! Estatelou os olhos e ficou mudo fixando o amigo.
--- Tô apaixonado cara!
A gargalhada do Zeca ecoou os quatro cantos do quarto!
--- Não acredito! O rei da mulherada , qual é!
--- Eu também tô meio pasmo , mas tô a fim da Flávia! Aquela garota que mudou faz pouco tempo aqui pra rua debaixo!
--- A que não fala com ninguém , não é!
--- Isso mesmo! Tenho um encontro hoje à noite com ela , e tô até meio nervoso!
--- Ah! Irmão , sai dessa! E as garotas que tu pega , como fica!
--- Tô fora! Quero namorar sério, entrar pra faculdade e ficar na minha.
--- Há! Há! Tô sabendo!
J.T convidou gentilmente o amigo à retirar-se e encerrou o ciclo de conversas naquela tarde.
Passava das 18:00hs . Tinha que escolher uma roupa bacana , tomar uma boa ducha e ir ao encontro da garota dos seu sonhos às 20:00hs em ponto.
Vestiu um jeans preto e uma camiseta branco básico . Estava bem natural. Queria ser o mais simples possível em seu primeiro encontro com Flávia.
Saiu saltitante pela rua , o céu estava estrelado e a noite fresca.
Encontraria com Flávia no bar do Durval ( a meia hora de caminhada de sua casa... ) , ponto de encontro onde os jovens reuniam-se pra bater papo e ouvir música.
A plano era chegar antes do horário , pedir uma bedida e esperar por ela.
Atravessou a avenida principal do bairro em passos largos entre os carros . Ouviu uma freada em sua costas e um estranho som . O som era familiar . Só podia ser o tilintar de um bicho! Um animal atropelado atrás dele , esmagado por um motorista inconseqüente sem amor aos animais.Um cão , um gato , um pombo ... sei lá! Virou-se rápido entre confusos pensamentos e viu uma galinha estrebuchando no asfalto. Uma galinha!-- pensou. Mas que diabos uma galinha estaria fazendo aquela hora da noite numa avenida movimentada. Não era hora pra esse tipo de pergunta. Correu de encontro a ave e pegou-a nos braços. Analisou seus ferimentos superficiais.
Uma asa quebrada talvez , ou algo mais grave! Mas a ave ainda estava viva!
Acenou um táxi na avenida e foi em direção a clínica veterinária mais próxima para tentar salvar a vida do bicho.
O veterinário examinou-a , cuidou dos ferimentos superficiais e constatou uma leve fratura na asa esquerda . Nada tão grave . A ave estava sã e salva!
J.T decidiu que queria ficar com o bicho e voltaria depois para pega-lá.
Já passava da 22:00hs e o encontro com Flávia tinha ido pro espaço.
Foi até o bar do Durval para dar uma conferida , mas o local estava às moscas.
Iria na casa dela pela manhã seguinte e explicaria tudo.
Acordou cedo e foi à casa de Flávia. Sabia que ela estudava no período da manhã. Ia desculpar-se e explicar o acontecido antes de sua aula.
--- Oi Flávia , bom dia! tudo bem!
Flávia olhou J.T de cima embaixo.
--- Pô ! Fernando! Que papelão! Me deixar esperando sem dar sinal de vida. Não sou nenhuma dessas que você tá acostumado não!
--- Posso explicar tudo! Aconteceu um sério imprevisto. Tenho certeza que você vai entender.
Nesse instante houve um silêncio mútuo entre ambos.
E J.T começou a história do atropelamento da galinha . Os primeiros socorros , o táxi rumo ao veterinário , o seu amor pelos bichos e coisa e tal ... Por fim mil pedidos de desculpas e belas palavras em relação ao seu sentimento verdadeiro pela garota mais encantadora que conhecera.
Flávia continuou calada , com as mãos na cintura , batendo o pé e com o semblante , "olho no olho".
--- Bela história Fernando!Incrível sensibilidade. Já pensou em ser escritor , ia ser dos melhores!
Fernando sorriu.
--- Olha aqui! Deixa de palhaçada! Tá pensando que sou dessas que você pega todo dia por aí. Você deve ter atropelado mesmo alguma galinha na noite passada! Vê se me esquece! Tchau!
Flávia deu as costas pra J.T e foi embora pra aula.
J.T desolou-se , por um instante não acreditava no que tinha acabado de acontecer . Ele foi honesto , sensível , verdadeiro e fiel , e tudo acabara ali , sem maiores rumores.
Abaixou a cabeça e foi pra casa em passos lentos envolto em seus pensamentos. Triste por Flávia, mas feliz , pois teria um novo bicho em casa.

Renato Leme.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Todos ...

Eu, você e nós.

Nós todos e eles também.

Quando vocês se juntam , nos forman a quem?

Em todos os caminhos eles passam por mim.

Fazendo assim nós todos juntos.

Meu destino é uma trilha precoce.

Minha vida é você!

Esta hora é a próxima.

No mesmo instante!

Eu, você e nós.

Eles , por que não?

Um minuto pra partir.

Meu mundo partindo em três.

Flores e esperança!

Na estrada , meu amor!

Eu, você e nós.

Ou talvez , eles também ...

Renato Leme

Apenas ...

Apenas ... Distraindo-me nos dias.

Tentando sobreviver ao medo da solidão.

Saindo em cada partida ... Consumindo a força do acaso.

Ilhado em pensamentos nocivos.

Juntando partes esquecidas.

Apenas ... Pensando no nada.

Querendo dizer atrocidades melancólicas.

Correndo à cada esquina ... Sentindo um prazer incontrolável.

Insensato momento desperdiçado.

A alma despedaçada.

Apenas ... Contando corvos.

Amando pra esquecer o medo.

Chegando Intacto ... Driblando as maneiras depressivas.

Tudo ao mesmo tempo agora.

Volúpia longe do querer.

Não há o que temer ... E nem como temer ...

Chuva negra e ácida sobre cada pergunta.

Deixar a barbárie de lado , tornou-se momento raro!

Ambigüidade mórbida.

Infinitamente apostos.

Apenas ... Acontecendo ... Isto!

Renato Leme

Grotesco

Grotesco o pó em nossas vidas.

A agonia itinerante no ar.

O amor traindo a emoção.

Grotesco o dia da caça.

A raça que ilude a excitação.

Um sonho morrendo ao entardecer.

A sorte na palma da mão.

Grotesco o amargo no fundo da alma.

A melancolia dançando ao luar.

Um martírio esquecido nos dias.

A dor que não pode esperar.

Grotesco o livro na estante.

A escrita suja do nosso viver.

Um conto maldito que se consagrou.

A rima perversa entre mim e você.

Grotesco os anos vividos.

A paz que nunca se deu.

Um rosto já desfigurado.

A chance que você perdeu.

Grotesco as luzes acesas.

A arte que não tem sentindo.

A maldição das nossas palavras.

Um filme em preto e branco.

Transcendendo-nos ...

Abruptamente ... Grotesco.

Partindo em dois ... Nós.

Renato Leme

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sem crise ...

Quando estou perdido , me acho ...
Jogando ideias pra passar o tempo ...
Traindo as verdades criadas em mim ...
Brincando com os próprios demônios ...
Quando quero já é tarde ...
Minha sanidade se foi ...
Luzes não brilham mais ...
Sigo a estrada sinuosa rumo ao caos ...
Quando falo , me calam ...
A tristeza tornou-se minha fã ...
Você me tem , mas não me vê ...
Vivemos uma amarga nostalgia ...
Quando tudo passar , vou sonhar ...
Querer as noites em claro ...
O vazio solitário e longo das horas ...
A "Música ao Longe ..."
O gole de vinho no canto da boca ...
"Comentários a Repeito de John ..."
Futuro breve a exitir ...
Qunado tudo acabar , terei que me contentar ...
Serei pó e ossos , a espera do novo ...
Quando chegar o momneto ... Sem crise ...

Renato Leme

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Enquanto isso ...

Enquanto eu dormia o tempo ia.
A tarde saia e a noite chegava com euforia.
Às vezes eu sonhava e o sonho ia
de encontro ao nada.
A rua, a casa, o carro , as pessoas
e tudo mais que vinha.
Desse jeito o presente partia.
Enquanto a chuva caia
eu dependurava na vidraça.
E lá longe no infinito
eu sentia a paz de estar contigo.
Um sorriso , um abraço
uma lembrança , uma saudade , pois ,
sei que tinha!
Às vezes eu dançava!
E a música trazia à esperança
que jamais fora perdida.
O reencontro! E o futuro chegara!
Enquanto isso ...
Eu ia e vinha e brincava! E pensava!
E você persistia em mim.
Enquanto eu pedia nada acontecia.
Me desesperava , caia em pranto.
Mas a dúvida é a certeza
de que um dia seria.
Às vezes eu cantava!
Rouco e tímido.
No quarto : a cama , os discos , os livros,
nossa linda vida!
Agora há o momento que ficara.
A distância que partiu.
Uma briga , um entendimento,
um beijo , um carinho ...
Ah! Sei que muito tinha!
Às vezes eu chorava um choro escondido,
perdido no meu ser , milagroso , deslumbrante!
Enquanto isso ...
O segundos corriam ...
Eu continuava indo e vindo.
Cantando , dançando e chorando ...
E nesse martírio , sempre !
Você persistindo em mim ...

Renato Andrade

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Caminhada ...




Ele já não era mais o mesmo, seus valores não mais valiam , e aquela esperança perdida que todos dizem , essa perdeu-se há tempos. A beleza dos dias tornara-se um martírio . O sorriso estava enferrujado , o corpo previamente dolorido, o coração sangrando velhas lembranças e a mente sem pudor , agindo num instinto súbito e psicótico . O que esperar quando tudo se foi. Onde andar se a estrada chegou ao fim! Visionário em outros tempos , sujeito alegre e confiante , porém a linha da vida lhe trouxe o que jamais pensara . Como chegara a esse ponto! Descrente do próprio ser, andando sem rumo e sem cartas na manga . O pretérito hoje é só melancolia , e a dádiva da sabedoria já não lhe servia. Sentado na calçada amarrando seus sapatos ele queria uma explicação . Tudo palpável a sua volta . Pessoas iam e vinham , carros passavam , o sol queimava seu corpo , o suor escorria no rosto e o desespero do fim aproximava-se. Apertou os passos calçada a frente , abaixou a cabeça , não tinha mais coragem de olhar. Desejou profundamente a cegueira, afinal ver pra que! Sua visão estava distorcida. Atravessou a rua agitada sem atenção alguma , os carros freavam , outros xingavam. Seu coração disparou , quase fora atropelado , esmagado e estarrecido ao escaldante sol de janeiro. Um baita susto! Chegou ao outro lado da rua esbranquiçado e trêmulo, mas felizmente estava são e salvo. Parou num boteco , pediu um copo com água e bebeu num só gole. Respirou fundo e foi embora. Desabotoou a gravata e continuou em sua tristeza sórdida à caminho de casa.
Gostava de voltar do trabalho a pé quase todos os dias . Caminhar o deixava relaxado, mas sempre o fazia pensar demais e distrair-se. Queria entender o que acontecia em sua alma , a vontade que não era mais vontade , a tristeza que tornou-se amiga e a rotina e o tédio , parte do dia e da noite.
Depressão , basbaquice , timidez , coisas da vida , o que! O que!
No escritório conversava com as pessoas tentava abrir-se, mas não lhe davam atenção , alguns até o chamavam de maricas , tiravam sarro e faziam piada. Todo dia o mesmo sentimento a mesma confusão e ninguém por perto pra desabafar. Lembrou dos tempos da faculdade, das noites de sexta e sábado , das garotas e da cerveja gelada. A turma que tanto amava e o tempo que não voltava! As festas , os bares , o lual na praia aos domingos . O que acontecera de errado , porque tudo acabou . Um engravatado no meio de tantos outros na selva de pedra maluca . Era tudo aquilo que nunca quis ser . Como pode ter deixado isso acontecer. Sempre achava-se tão inteligente e astuto , e na verdade era ! Mas estava feito , e nada podia mudar , um bom emprego , uma boa vestimenta e a angústia tirando-lhe a vida. Era preciso conviver com isso ou matar-se então! Talvez um dia mudaria , só não sabia como! Acreditava que certas coisas nunca mudam. Um erro precoce! Ia chegando próximo à sua casa . A mesma rua de paralelepípedo e o velho portão de grade alta. Sentia-se cansado e com fome , como todos os dias, tudo igual! Tomar um banho , comer , dormir à tarde , e quem sabe morrer dormindo! Tava aí uma idéia a se pensar , mudaria toda a história , renovaria ! Do outro lado talvez fosse mais bacana , mais interessante! O que tinha pra fazer aqui já estava feito!
Bateu o portão com mágoa e tranqüilo . Arrastou-se corredor adentro e decidiu num rápido pensamento que não queria morrer , ao menos por hoje!

Renato Leme


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Único

Desisti de ser uma pessoa só.
To aprendendo ser uma multidão.
Procurando brigas comigo mesmo.
Trocando mensagens por aí.
Desisti de ser o único.
To querendo ser milhões.
Arrumando intrigas no fundo da mente.
Mostrando desejos por aí.
Falsários amigos meus que me acompanhem.
Desistam das coisas que se foram.
Criem verdades falsas.
Dancem na contramão.
Desisti de ser sozinho.
To curtindo qualquer um.
Destruindo meus fantasmas loucos.
Rolando nada por aí.
Deixem de pensar na gente.
Sonhem com o que não se tem.
Banhem-se nas lágrimas da vida.
Sintam o que vale a pena.
Presente ... sólido ... constante ...
Prazer único ...

Renato Andrade

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quando não há ...


Esperar pra quê .. Delirar..


Justificar em si o tormento amigo!


Abortar o inevitável .. Inabalável ..


Tramar o possível .. Sem Resistir ..


Dançar no caos .. Vibrar na Raiva ..


Publicar em si a angústia!


Sujeira nua .. Perplexidade ..


Inviável noção do ser .. Sempre!


Renato Andrade

Nulo ...

Aniquilado em pensamentos diários.
Tranquilo entendendo o nada.
Transcendendo o ócio noturno.
Ganhando tempo pra esquecer.
A idéia da existência torna-se um tormenrto.
A cura da da insanidade é agora loucura.
A mesmice é amiga fiel!
Injustiçado e feliz por ser só.
Vertigem certa ao pensar no futuro.
Querendo odiar o amor das coisas.
Morrendo pra existir.
A fala já não fala mais.
A doença é puro desejo.
A ambiguidade é um só sentido!
Sentindo a perda do chão.
Sofrer não é novidade.
Longas horas apenas esperando.
Nadando no lago de fogo.
A vida já não é capaz.
A água não mata a sede.
Incrédulo .. Gênio!
Lírico .. Informal!
Capacitadamente .. Nulo!

Renato Andrade

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

...Sempre Outrora...

Vontade equivocada que me esnoba.
O fio da navalha é um desejo invísivel.
Eis que sou carne crua e espírito em pranto.
Trancado no quarto, perdido em algum lugar!
Vozes ao longe são relutantes.
Esquivo-me, saio e penso!
Outra vez! Outro dia!
Saudade equilibrada na demência.
O prazer do pecado não requer perdão.
Eis que sou medo e ódio.
Trancado na vida e solto na morte.
A fonte da juventude secou.
Esquivo-me, cresço, caio e danço!
Outro dia! Outra vez!

Renato Leme

... Xô Deprê ...


Poesia é fuga...
Genebra gato nele...

Dias vermelhos

Se eu corresse atrás de coisas que não posso ter,
é possível acreditar no que devo fazer.
Pessoas ilustres desfilam pelas ruas com seus trajes
imorais e suas falsas verdades.
Hoje o dono da razão será amanhã o pai das controvérsias.
Corro em busca de um futuro incerto.
Nunca mais vou querer saber que pensar é bem mais que querer.
Não me abandono mais escondendo em um só lugar!
O ar que respiro me sufoca, destrói os sentidos!
Em dias vermelhos não é possível lutar, pois, não se ganha e nem perde!
O mundo derrama seus males sobre nossas cabeças.
Sua determinação é um instinto assassino.
Sua força é a perda do contato.
Em dias vermelhos ninguém se move.
A selva de pedra torna-se frágil perante sua multidão.
A vida é cena de uma comédia romântica!
Minha consciência é calma, mas minha cabeça pesa ao travesseiro.
Em dias vermelhos a paz não chega!
Sou um suspeito à esperar...
Sucessivos erros e enganos...
Fujo da própria sombra!
Disfarço minha existência!
Em dias vermelhos tudo é cinza...
E tudo é nada...
E nada é aquilo que sempre teremos.

Renato Leme

O próximo dia...

Piso leve e vou tranquilo pela noite.
Minha vida, minha paixão.
O tempo voa, amigos vão...
Eu sou apenas mais um zé ninguém.
Nos caminhos tortos vou seguindo
e tentando esquecer.
As mentiras da vida, tento entender!
O tempo passsa, mas nada muda.
Vou tentando acertar no próximo dia!
A hipocrisia é uma virtude em nossas vidas.
Não quero lutar para perder.
Não vejo razões para brigar.
O tempo passa e a vida fica no mesmo lugar,
mas vou tentando acertar no próximo dia!

Renato Leme

Momentaneamente

O momento é um pedaço de tempo, uma excitação.
A cada momento uma surpresa...
Em cada surpresa, uma nova sensação.
Todos eperam o momento...
Seja ele, errado ou certo!
Momentaneamente fico calado sentindo o passar do tempo.
Há momentos infinitos registrados em cada memória...
Prisma vasto de emoções!
Os momentos nos levam a sonhos intensos, à fantasias mágicas.
Em cada momento uma esperança...
Um coração à espera de amor.
Conflito de gerações!
Meninos e meninas com seus pensamentos imperfeitos.
Adolescentes rebeldes...Loucos do além!
Em cada momento há uma festa de aniversário.
Festas de morte há também!
Mesada hipócrita, salário miséria...
O povo do nada!
O beijo longo e doce da namorada.
Luz, som, fogo e trovão!
Inúmeros lugares inexplicáveis.
Gente doente, coisa demente, mundo caos!
Há os que vivem por aí.
Cores e flores!
Tudo e nada, mas o importante é que haja!
A cada momento há de haver sempre.
E cada pessoa há de haver um momento.
Momentaneamente...

Renato Leme

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Saber parar é burrice ... Escrever é teimosia..."

Coração de cachorro...

Bate no peito feito cão doido.
Morde o osso na saudade do ontém.
Rosna em busca do novo.
Late pra tristeza ir embora.

O rabo balança lembrando os momentos.
A coceira chega na alegria da noite.
Levanta a orelha pedindo pra ficar.
Avança no dono com raiva da vida.

Vai coração de cachorro...se agita por aí...
Lembra que a vida é longa e o tempo é curto...
Vai vira-lata sem dono...é hora de partir...
Levanta a cabeça e deixa passar.
Deixa o cão viver em ti.
Brincando...brincando...sempre...

Renato Andrade...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A vida é pra viver ...

Vamos dançar.
Vamos sumir.
Alucinar.
Curtir a noite inteira.
A vida é pra viver.
Não perca tempo não.

Estou tranqüilo
e ao meu lado
o meu amigo;
são os meus pés no chão.

A morte é pra esquecer.
Ninguém escapa não.

Vamos pensar.
Vamos sentir.
Deixar rolar.
Entrar na brincadeira.
Chega de tensão.
A vida é pra viver.

Renato Leme

" Na calada da noite"

A noite me consome.
Escurece-me a alma.
Caem sobre mim as trevas da paixão.
O desconhecido!
À noite me faz sentir jovem.
Trás a esperança perdida.
Bate forte meu coração.
Pensamentos dilacerados!
Amigos e amantes.
Amores distantes!
Conflitos, abrigos.
Loucuras constantes!
Minha noite!
À noite me tira o medo.
Mostra-me segredos.
Joga-me pro alto.
Abusa da sorte, sem temer a morte.
Cantos, raças, bêbados e poetas!
Horas incertas!
Estrela, lua, sonho e desejo!
Um caminho perfeito.
Minha e sua, pra sempre, noite!

Renato Leme